Longe do Paraíso

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Hartford, Connecticut, 1957. Cathy Whitaker (Julianne Moore) é uma dona de casa que leva uma vida aparentemente perfeita, pois tem filhos, um dedicado marido, Frank (Dennis Quaid), e a possibilidade de ascensão social. Mas um dia tudo cai por terra quando Cathy, ao ir ao escritório de Frank, vê chocada ele beijando outro homem. Abalada com o acontecimento, Cathy busca conforto junto a Raymond Deagan (Dennis Haysbert), um jardineiro negro. A aproximação dos dois causa desconfiança junto a vizinhança, que não vê com bons olhos o relacionamento entre uma mulher branca e um homem negro. Paralelamente Cathy e Frank decidem manter o casamento, para não sofrerem pressões da comunidade, enquanto procuram um médico, Bowman (James Rebhorn), para tentar curar a “doença” de Frank, pois é cada vez mais difícil ele reprimir sua tendência o homossexual. Enquanto tudo isto acontece surge entre Cathy e Raymond uma forte paixão platônica.

Diretor: Todd Haynes
Figurinista: Sandy Powell

A concepção estética do filme é inspirada em All That Heaven Allows, de Douglas Sirk. Todd Haynes sabia claramente o visual que buscava para o filme e isso influenciou muito as escolhas da paleta do figurino concebido por Sandy Powell.
O drama acontece na década de 50 e traz a vida do exemplo do “sonho americano” . A boa esposa, o marido perfeito, dois filhos e a casa no subúrbio. Porém sua vida não é exatamente como os outros percebem.
Não sei o que acontece, ou se sou eu,mas toda ficção que é situada nesse período 50/60 , com toda essa perfeição tem uma “energia” de falsidade. A hipocrisia que existe nessa história fica exacerbada com tantas cores pastéis e laquê. (Mas pode ser que seja eu)
O figurino mais interessante é o de Cathy (Julianne Moore). Seu guarda roupa reflete o seu ambiente, suas relações e quem está assistindo consegue ver a trama sendo facilmente definida pelas cores no vestuário da personagem.Seu figurino deixa claro que é uma mulher ela é definida pela imagem e precisa reproduzir o que está na moda, reforçado pelo uso do New Look que evidencia sua feminilidade.

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Assim, Cathy é apresentada como personagem feminina, que tem como vermelho a sua cor principal, o que chama atenção para sua força na história. Mesmo em uma realidade que depende de que ela fique em menos evidência que o marido, a protagonista tem a cor mais forte dentre todas. A paleta de Cathy muda quando está vivendo em função da família, ocupando seu papel de mãe-e-dona-de-casa-perfeita e os tons de verde e azul, cores mais frias, mais apagadas aparecem acalmando a sua identidade.

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É esse o equilíbrio no seu figurino, em polos opostos, até que o lilás aparece sutilmente em seu guarda roupa para estabelecer um novo vínculo. Sua proximidade com o jardineiro negro aparece em detalhes, como em um lenço e destoa da cartela de tons outonais que definem a arte do filme. O lilás em cena causa um ruído semelhante ao qual esse relacionamento traz a vida de Cathy.

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Para quem gosta de drama e quer ver as outras camadas que existem por baixo da tanta perfeição , Longe do Paraíso é uma boa sugestão. E o trabalho de Sandy Powell mais uma vez faz a história ficar na memória.

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